quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Carnavalha




Muitos países procuram um motivo ou característica que os tornem únicos ou conhecidos, uma marca indelével de sua cultura – o carnaval é a nossa.  Mas como ainda nos corta como a navalha crivada na carne dos antagonismos, e que vem trazida pelo nosso vazio em pensar no que ocorre nos arredores sujos de nossas cidades.

Pode ser algo bom, um reforço cultural, um alívio da neutralidade cotidiana – mas a que preço? Desde os cordões seletivos do carnaval nordestino até os prejuízos morais, de saúde e riqueza oferecidos por tanta festa...  onde o ganho compensa a perda? Os custos em saúde, os gastos em financiar desfiles, as confusões, acidentes de trânsito, assaltos, homicídios e estupros. Custa ver que todo esse malefício aumenta nesses fatídicos dias? 

Partindo da lógica de que o consumo excessivo de bebidas e os disparates coletivos motivados por uma razão institucionalizada em nada acrescentam no cotidiano, marcando de maneira miserável o início efetivo do ano brasileiro. É muito impopular falar mal, mas ficar esses dias parados dá tanto dó que custaria muito não comentar.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Razões atrás de cacetetes


Que tempos bicudos esses em que vivemos, onde a polícia é algo de tantas desconfianças e estamos cercados da impotente incerteza de seres desarmados. Mas em quem acreditar nesse mar de denúncias, onde são acusados policiais e bombeiros de comportamentos que não se esperava deles?




É muito triste ver bombeiros na cadeia, mas viver sem nenhuma pauta também é complicado. Complicado também é ver alguém barganhar com a segurança pública. Isso na Bahia talvez seja até um alento para não ter tanta folia assim – dessa que atrasa a vida de nosso país. Mas no geral atrapalha a vida de todos nós, que trabalhamos e vivemos sem essa segurança meia boca de cotidiano, mas vive-se desse jeito.
Desde os rolos da USP até a pobre vaquinha estuprada aqui na capital a polícia fica nos seus altos e baixos e acabamos por ficar com tantas dúvidas que até a polícia de SC que sempre nos foi tão cara agora é até alvo de dúbias interpretações nas atualizações menos infelizes do Facebook. Mais críticas ainda as desocupações e dispersões craqueanas, comandadas e entristecedoras no geral. Rezemos pois é o que nos resta.



segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Sem dar SOPA para liberdade





Um assunto que tomou conta da imprensa brasileira e mundial foi que o governo americano gostaria de tratar com SOPA os excessos nos serviços de compartilhamento da internet. É estranho pensar que os donos do MEGAUPLOAD estão milionários com essa prática pouco desportiva de distribuição de  mídia, trazendo a tona uma discussão que vai desde a repressão total,  a liberação indiscriminada, passando por um meio termo conciliador. Mas que meio termo? Um que permaneceu incólume as medidas foi o The Pirate Bay (TPB), que não ficou um segundo sequer fora do ar e ainda publicou uma mensagem de rebeldia, se dizendo eternamente um revolucionário resistente ao clima pouco favorável para as redes p2p.
É bem verdade que o TPB tem uma filosofia clara, no entanto menos descarada que o MEGAUPLOAD – mas parar esses sites é como matar uma barata que já gerou 20 mil filhotes para prosseguir com a horda.
No caso do Brasil já tivemos um projeto de lei para coibir ações desse tipo, que em virtude de seus exageros caiu no esquecimento. Felicidade essa nossa de não viver em ambientes cruelmente restritivos como China, Coréia do Norte ou Irã. A internet nasceu livre, e assim deve permanecer, os eventuais exageros devem ser coibidos, mas restringir pura e simplesmente não resolveria.

quarta-feira, janeiro 25, 2012

MUNDO EM QUE VIVEMOS



As vezes penso que a moral global é uma nau pronta a afundar no oceano do cotidiano. Mais rebaixados do que a nota da França, estamos boiando em nossas dúvidas de como proceder, apoiados numa mídia que é muito boa em confundir. E pensar que Berlusconi hoje é um cordeiro comparado a um capitão de transatlântico, que por seus acepipes sexuais acaba esquecendo o leme e se agarra em outras coisas.  
Preocupados com pseudo-estupros em gaiolas sociais, esquecemos que é para isso que elas servem – gerando indignação midiática e audiência para a publicidade sedenta do sangue consumidor. Queria lavar o rosto e acordar, como se toda essa abobrinha de quem não está no Canadá fosse só um devaneio de umas noites da vida, mas infelizmente essa não está assim tão fácil.  
Vamos adiante, investindo nesse futuro duvidoso que multiplica as cifras da dívida européia, tentando construir na nossa casa algo mais perto do socialismo real – baseado na distribuição de renda e inclusão, esquecendo das torturas cotidianas das cracolândias infames do poder público negligente aos direitos humanos.

segunda-feira, janeiro 16, 2012

BBB DoisMil12





Pergunto-me até quando seremos nós vítimas de nossa própria banalidade e falta de comprometimento com a herança do futuro. Até quando seremos eliminados pela curiosidade inútil em coisas ruins que só reforçam o que há de pior na humanidade. O BBB 12 é a reafirmação daquilo que temíamos, de que as pequenas variações nos personagens e temáticas afundam cada dia mais a moral coletiva – e de forma nenhuma representam a coletividade, não a da qual eu faço parte.

Levados pela mediocridade e falta de respeito próprio de sei lá quantos, ficam enclausurados a troca de audiência garantida, dançando nos bacanais da vida moderna ao som de poesia barata e divagações ainda mais toscas do decepcionante Bial – que gasta nomes de peso atrás de bibliografia, mas tudo que arranca é suspiro ligeiro dos que fingem entender e ódio profundo dos que já desistiram de saber o porquê.
 
Mais que isso, acho que é de uma miséria delirante esse apego ao assunto da manhã seguinte, essa vontade claustrofóbica de ver e saber quem são, mesmo que sejam ninguém... estereotipados, rotulados, cheios de um pragmatismo moderno que os denigre e acaba com a beleza da vida de diversidades. Desrespeito individual e coletivo a encher as turras globais de ouro, ouro dos tolos que ainda ligam.

Mas um dia a terra se vinga desses, e não haverá academias para fornecer bundas grandes nem corpos tatuados, a vida voltará a ter significado e nesse ralo irão escorrer todos esses inchaços sociais, moídos pelo triturador da verdadeira vida. Amém. 

terça-feira, janeiro 10, 2012

Menos igrejas, mais escolas.



Passeando pelo meu bairro percebo uma série de pequenas igrejas. Galpões e reuniões menores em que se aglomeram fiéis atrás de uma mensagem de esperança e paz. Não há nada de errado nisso, mas o curioso é que em toda a redondeza há somente três escolas. Ouvindo uma reportagem a pouco que tratava de pessoas que foram pisoteadas na busca de vagas em uma universidade em Johanesburgo eu me pergunto se as pessoas que estão nessas igrejas sairiam tão afoitas na direção de vagas para estudar

Não cabe aqui crítica nenhuma a crenças de qualquer ordem, tenho minhas crenças e essas me fazem melhor do que seria sem elas, mas minha busca pessoal por melhoria intelectual, moral e financeira acompanham esse compromisso religioso.  Não será uma busca em obter sem ter a explicação de como?

Penso, por uma luz de lógica,  que Deus (ou qualquer outra entidade ou modelo organizador) de onde estiver deve pensar que deixou as ferramentas para nossa evolução e que devemos sempre partilhar dessa dádiva: estudando, trabalhando e procurando melhorar – tendo o evidente direito de partilhar de nossas convicções religiosas ou não.

quinta-feira, janeiro 05, 2012

Indignai-vos!

Vejam a pérola que encontrei nessa entrevista de Stéphane Hessel a Carta Capital - Edição 678 de 28/12/2011.



"Não sou otimista no curto prazo. Mas sou um otimista no longo prazo. Isso se deve a minha longa viagem. Vivi mais de 93 anos. Vivi momentos que pareciam insolúveis, como o stalinismo, que foi finalmente resolvido. Portanto, tenho confiança de que os cidadãos do mundo atual serão capazes de se comunicar entre eles para encontrar soluções para nossos problemas atuais" [Stéphane Hessel, autor do livro "Indignai-vos" que foi inspirador da série de movimentos sociais no mundo]

terça-feira, janeiro 03, 2012

Acertos e corridões



O ano começa com segunda-feira e isso é pesadelo de qualquer pobre. Mas começar assim é sinal que há muito o que fazer e isso vai para aqueles que somos contabilizadores de feriados, em quais dias cairão e a possibilidade de emendar a maioria – as vezes se trabalha, as vezes não.
O saldo do ano que terminou é positivo, então perseguir na luta é fundamental. Lendo um balanço sobre os acertos do governo Dilma me dei conta do quanto a atual administração simplesmente brigou, não evitaram a corrupção e denuncismo, mas de certo que as cabeças que rolaram servem e muito de alento para conter algo inadmissível em altos escalões. E tudo indica que em 2012 o ritmo será o mesmo, com um possível aumento de popularidade da presidenta por conta das eleições municipais e será nessas a hora do novo híbrido de Kassab mostrar seu valor e poder.
Outro ponto positivo já de 2012 é a gloriosa batalha de São Paulo na cracolândia. Anoto aqui que será dura e passível de derrota, mas não devem desanimar. Sonho que as autoridades tenham pensado em mais do que dar uns corridões nos usuários e enfim apresentem uma solução para este câncer social de difícil equacionamento. É preciso suporte, as pessoas lá estão jogadas ao léu e precisam de acompanhamento, tratamento... precisamos ressuscitar esse Lázaro social que tanto nos envergonha.