Muitos países procuram um motivo ou característica que os tornem únicos ou conhecidos, uma marca indelével de sua cultura – o carnaval é a nossa. Mas como ainda nos corta como a navalha crivada na carne dos antagonismos, e que vem trazida pelo nosso vazio em pensar no que ocorre nos arredores sujos de nossas cidades.
Pode ser algo bom, um reforço cultural, um alívio da
neutralidade cotidiana – mas a que preço? Desde os cordões seletivos do
carnaval nordestino até os prejuízos morais, de saúde e riqueza oferecidos por tanta
festa... onde o ganho compensa a perda?
Os custos em saúde, os gastos em financiar desfiles, as confusões, acidentes de
trânsito, assaltos, homicídios e estupros. Custa ver que todo esse malefício
aumenta nesses fatídicos dias?
Partindo da lógica de que o consumo excessivo de bebidas e os
disparates coletivos motivados por uma razão institucionalizada em nada
acrescentam no cotidiano, marcando de maneira miserável o início efetivo do ano
brasileiro. É muito impopular falar mal, mas ficar esses dias parados dá tanto
dó que custaria muito não comentar.





