quarta-feira, janeiro 25, 2012

MUNDO EM QUE VIVEMOS



As vezes penso que a moral global é uma nau pronta a afundar no oceano do cotidiano. Mais rebaixados do que a nota da França, estamos boiando em nossas dúvidas de como proceder, apoiados numa mídia que é muito boa em confundir. E pensar que Berlusconi hoje é um cordeiro comparado a um capitão de transatlântico, que por seus acepipes sexuais acaba esquecendo o leme e se agarra em outras coisas.  
Preocupados com pseudo-estupros em gaiolas sociais, esquecemos que é para isso que elas servem – gerando indignação midiática e audiência para a publicidade sedenta do sangue consumidor. Queria lavar o rosto e acordar, como se toda essa abobrinha de quem não está no Canadá fosse só um devaneio de umas noites da vida, mas infelizmente essa não está assim tão fácil.  
Vamos adiante, investindo nesse futuro duvidoso que multiplica as cifras da dívida européia, tentando construir na nossa casa algo mais perto do socialismo real – baseado na distribuição de renda e inclusão, esquecendo das torturas cotidianas das cracolândias infames do poder público negligente aos direitos humanos.

segunda-feira, janeiro 16, 2012

BBB DoisMil12





Pergunto-me até quando seremos nós vítimas de nossa própria banalidade e falta de comprometimento com a herança do futuro. Até quando seremos eliminados pela curiosidade inútil em coisas ruins que só reforçam o que há de pior na humanidade. O BBB 12 é a reafirmação daquilo que temíamos, de que as pequenas variações nos personagens e temáticas afundam cada dia mais a moral coletiva – e de forma nenhuma representam a coletividade, não a da qual eu faço parte.

Levados pela mediocridade e falta de respeito próprio de sei lá quantos, ficam enclausurados a troca de audiência garantida, dançando nos bacanais da vida moderna ao som de poesia barata e divagações ainda mais toscas do decepcionante Bial – que gasta nomes de peso atrás de bibliografia, mas tudo que arranca é suspiro ligeiro dos que fingem entender e ódio profundo dos que já desistiram de saber o porquê.
 
Mais que isso, acho que é de uma miséria delirante esse apego ao assunto da manhã seguinte, essa vontade claustrofóbica de ver e saber quem são, mesmo que sejam ninguém... estereotipados, rotulados, cheios de um pragmatismo moderno que os denigre e acaba com a beleza da vida de diversidades. Desrespeito individual e coletivo a encher as turras globais de ouro, ouro dos tolos que ainda ligam.

Mas um dia a terra se vinga desses, e não haverá academias para fornecer bundas grandes nem corpos tatuados, a vida voltará a ter significado e nesse ralo irão escorrer todos esses inchaços sociais, moídos pelo triturador da verdadeira vida. Amém. 

terça-feira, janeiro 10, 2012

Menos igrejas, mais escolas.



Passeando pelo meu bairro percebo uma série de pequenas igrejas. Galpões e reuniões menores em que se aglomeram fiéis atrás de uma mensagem de esperança e paz. Não há nada de errado nisso, mas o curioso é que em toda a redondeza há somente três escolas. Ouvindo uma reportagem a pouco que tratava de pessoas que foram pisoteadas na busca de vagas em uma universidade em Johanesburgo eu me pergunto se as pessoas que estão nessas igrejas sairiam tão afoitas na direção de vagas para estudar

Não cabe aqui crítica nenhuma a crenças de qualquer ordem, tenho minhas crenças e essas me fazem melhor do que seria sem elas, mas minha busca pessoal por melhoria intelectual, moral e financeira acompanham esse compromisso religioso.  Não será uma busca em obter sem ter a explicação de como?

Penso, por uma luz de lógica,  que Deus (ou qualquer outra entidade ou modelo organizador) de onde estiver deve pensar que deixou as ferramentas para nossa evolução e que devemos sempre partilhar dessa dádiva: estudando, trabalhando e procurando melhorar – tendo o evidente direito de partilhar de nossas convicções religiosas ou não.

quinta-feira, janeiro 05, 2012

Indignai-vos!

Vejam a pérola que encontrei nessa entrevista de Stéphane Hessel a Carta Capital - Edição 678 de 28/12/2011.



"Não sou otimista no curto prazo. Mas sou um otimista no longo prazo. Isso se deve a minha longa viagem. Vivi mais de 93 anos. Vivi momentos que pareciam insolúveis, como o stalinismo, que foi finalmente resolvido. Portanto, tenho confiança de que os cidadãos do mundo atual serão capazes de se comunicar entre eles para encontrar soluções para nossos problemas atuais" [Stéphane Hessel, autor do livro "Indignai-vos" que foi inspirador da série de movimentos sociais no mundo]

terça-feira, janeiro 03, 2012

Acertos e corridões



O ano começa com segunda-feira e isso é pesadelo de qualquer pobre. Mas começar assim é sinal que há muito o que fazer e isso vai para aqueles que somos contabilizadores de feriados, em quais dias cairão e a possibilidade de emendar a maioria – as vezes se trabalha, as vezes não.
O saldo do ano que terminou é positivo, então perseguir na luta é fundamental. Lendo um balanço sobre os acertos do governo Dilma me dei conta do quanto a atual administração simplesmente brigou, não evitaram a corrupção e denuncismo, mas de certo que as cabeças que rolaram servem e muito de alento para conter algo inadmissível em altos escalões. E tudo indica que em 2012 o ritmo será o mesmo, com um possível aumento de popularidade da presidenta por conta das eleições municipais e será nessas a hora do novo híbrido de Kassab mostrar seu valor e poder.
Outro ponto positivo já de 2012 é a gloriosa batalha de São Paulo na cracolândia. Anoto aqui que será dura e passível de derrota, mas não devem desanimar. Sonho que as autoridades tenham pensado em mais do que dar uns corridões nos usuários e enfim apresentem uma solução para este câncer social de difícil equacionamento. É preciso suporte, as pessoas lá estão jogadas ao léu e precisam de acompanhamento, tratamento... precisamos ressuscitar esse Lázaro social que tanto nos envergonha.