As vezes penso que a moral global
é uma nau pronta a afundar no oceano do cotidiano. Mais rebaixados do que a
nota da França, estamos boiando em nossas dúvidas de como proceder, apoiados
numa mídia que é muito boa em confundir. E pensar que Berlusconi hoje é um
cordeiro comparado a um capitão de transatlântico, que por seus acepipes
sexuais acaba esquecendo o leme e se agarra em outras coisas.
Preocupados com pseudo-estupros
em gaiolas sociais, esquecemos que é para isso que elas servem – gerando indignação
midiática e audiência para a publicidade sedenta do sangue consumidor. Queria
lavar o rosto e acordar, como se toda essa abobrinha de quem não está no Canadá
fosse só um devaneio de umas noites da vida, mas infelizmente essa não está
assim tão fácil.
Vamos adiante, investindo nesse
futuro duvidoso que multiplica as cifras da dívida européia, tentando construir
na nossa casa algo mais perto do socialismo real – baseado na distribuição de
renda e inclusão, esquecendo das torturas cotidianas das cracolândias infames
do poder público negligente aos direitos humanos.


