sábado, dezembro 31, 2011

Esperanças de transição


O ano político já se encerrou, com o providencial recesso parlamentar, mas a última semana do ano não nos obriga a parar de pensar, regada a focinhos (que fuçam para frente) e evitando as eventuais aves do dia a dia (que ciscam para trás). O balanço do que foi 2011 traz consigo as especulações de 2012  - nem estou falando no fim do mundo - mas quem sabe o fim de algo que conhecemos.
Bem alheio a tudo isso parece que o Brasil segue desconectado da crise na Europa, usando remédio caseiro para evitar os sintomas de uma doença que ainda não se manifesta. Estranhamente não tomamos as devidas providências para nos precaver do que há lá fora, o que se faz é agir internamente, combatendo a inflação (que atingiu o teto da meta) e fazendo ajustes na produção - carentes ainda da infraestrutura de nossos sonhos.
Mas e ao pobre que nos ouve, o que reserva 2012? Sinceramente eu dou o conselho de nos espelharmos em países poupadores, já que nosso modelo de capitalismo anda muito próximo do consumismo desenfreado dos americanos e longe da cultura da poupança. A esperança é que o PAC deslanche, que a infraestrutura melhore, que sejamos surpreendidos com as reformas política e fiscal e que não nos arrastemos mais nessa imensidão de impostos da era em que a informalidade predominava. Se alguém reclama do punho cerrado do governo federal é pela ineficiência da máquina. Esperança, camaradas.

domingo, dezembro 25, 2011

Então é Natal


 "Então é natal... e o que você fez? " Eu? Fiquei ouvindo pelos corredores de um supermercado a Simone, por isso que essa época parece tão triste. Aquele CD que nunca fura nem arranha, que insistem em colocar no repeat.
Acho mesmo que milhões de blogs devem se dedicar ao significado do Natal, que remonta tempos primevos, bem anteriores a Jesus... mas nesse nosso hemisfério cristão sempre nos recordamos da imagem de Jesus menino, nascido na manjedoura e hoje já bem ofuscado pelo tom vermelho da roupa do papai noel - acaba que cada um entende de uma maneira e comemora do seu jeito e ainda há os que não gostam da data – nada que a rebeldia cotiana não nos liberte.

O fato é que as pessoas estão muito mais gentis, talvez pela lembrança da personificação da caridade, ou pelos efeitos nefastos do décimo terceiro salário.  Tem gente que passa buzinando aqui na frente da minha casa, será que é para avisar que é Natal? “Opa, não esqueci... pode deixar”, ou será que é linguagem  cifrada? “é natal e e estou de carro” - enchendo o saco.

quinta-feira, dezembro 22, 2011

Ser do tipo Coletivo




Sou do tipo coletivo, que gosta de ocupar grandes espaços, carros desses grandes: para 40 pessoas em pé, 43 sentadas. Que não tem medo de acidente de trânsito pela inércia que carrega, e pelo estímulo parco do motorista. No sobe e desce ainda do bairro, sabe que nas voltas intermináveis dos itinerários reside a garantia da manutenção do meio nessa pro atividade infértil.
A identidade é tão profunda que parece que saí da maternidade já de ônibus, e entreguei enrolado em cueiros meu primeiro passe, para o cobrador que via nascer mais um passageiro. E qualquer distância, para o fim que fosse dali em diante seria dessa forma trafegada, quando os passos fossem muitos a companhia dos dois eternos - cobrador e motorista – era certa. E pensar que sempre seria tratado de pobre, lascado pelo hábito que privilegia as massas, como se esse não fosse o homem que o direito proclama o benefício às maiorias para manutenção da sociedade.
Mas é muito difícil ser coletivo nesse mundo de individualidades, e muito fácil ser indiferente com a distância que se toma.

quinta-feira, junho 02, 2011

Há algo de estranho na república dos bananas

Não há trovão que perturbe o descanso principesco de Palocci. Da Terra Maravilhosa ele herdou uma fortuna que nem com sua própria consultoria ele explica – afinal um cachê para uma explicação dessas também merece explicação.





Mais bizarro que o enriquecimento, é a estranha maneira que nossa direita 'sem jeito' está tratando a situação. Até o Serra acha que tudo bem. Bem, se tudo bem, então o poder deve ser algo extraordinário, levando-se em conta que o período de afastamento dele foi o que mais lhe rendeu dividendos – então por que voltar?


Para o governo Dilma é só mais uma crise, que pode até ficar velada, no estilo 'estou calejado de denúncias, qualquer vento não é furacão'.Furacão que nem rima com inflação, que é pseudo, porque isso sim é armadilha de direita, mas eles provaram ser canhotos. E acho mesmo que vai passar e o rumo é certo. Minha consultoria é otimista, mas não rende como a do ministro.


Pense no pior, poderia ser o Zé Dirceu.

segunda-feira, maio 23, 2011

Coletividade inoperante


Alguns são os dramas das atividades que reverberam em atitudes coletivas, ditando um comportamento social - desejável ou não. Sempre cabe avaliar se aquilo que se faz deve ser repetido por todos os outros membros do grupo, em uma forma de verificar se a açao é coletivamente positiva.




Um bom exemplo do que pode se tornar a sociedade do futuro é visualizar a necessidade do uso do automóvel em grandes cidades de maneira diária e solitária - pouco solidária. Enquanto enclausurados nas armaduras de metal, indivíduos tentam reproduzir o sonho vivido em propagandas da indústria automobilística, crentes da solidão num tráfego tranquilo e comprando esse sonho de liberdade. Sonho de liberdade que se transforma em prisão de 4 portas, teto solar, ar digital e muita tecnologia embarcada. Reproduzir esse erro individualista para coletividade só pode trazer uma realidade indesejável, um ar irrespirável, uma via intransitável e um caos memorável.


É certo que as prefeituras devem investir em transporte coletivo digno, viável e desejável. Ainda está em nossas mentes que transporte coletivo é coisa de empregada doméstica de novela das 8, que só serve para exprimir o fracasso daquele personagem que no último capítulo empobreceu e teve que voltar a trabalhar de ônibus – como se todo o coletivo fosse levado as galés do inferno popular : 'Morram com 12 horários aos domingos e sofram na eterna programação repetitiva de suas vidas baseadas na programação dos coletivos.'


Continuemos sem pensar em medidas que favoreçam a todos, e acabaremos todos sós.