segunda-feira, outubro 27, 2014

Ereções frustradas

Cadeia Dilmafiga


Quase impossível permanecer indiferente a comoção formada diante das eleições.

Particularmente não atualizava esse blog fazia anos, mas chegou a hora de renascer das cinzas tendo em vista a iminência dessa revolução do proletariado Sul brasileiro – não existe fênix sem manual de instrução. Se todo pleito tem eleito, não adianta chorar pelo leite derramado quando há gente mamando nas tetas dessa vaca.

Mesmo os que comigo se identificaram e deixaram de votar na Dilma por um motivo que não li e nenhuma rede social. Não falo de queimar revistas, Petrodólares desviados ou inflação, medo dá é em saber que o governo seguirá sem apoio para as melhorias de que tanto necessitamos.

Não achei que no dia seguinte a eleição do Aécio Neves (um futuro esquecido) as coisas mudariam de tal forma que seria outra terra brasilis... que mesmo a fila da ponte não resistiria ou abandonaríamos nosso estilo modorrento de viver. Mas a única vitória imediata da reeleição de Dilma seria a exportação do Lobão, que nem aconteceu. A esperança está escassa nesse mundo facebookiano que permeia aqui no Sul, mas separatismo é bobagem. Muita vontade de rir com algumas pessoas de luto pela derrota, porque democracia tem disso e participar de um modelo democrático sem o risco de perder é falta de maturidade política.


Bem diziam no apartheid que um homem é um voto, e no Brasil não será diferente. Vamos evitar o sectarismo, deixar a esperança viva e convencer o Lobão a cumprir sua promessa. De resto sobraram o choro dessas eleições (ereções) frustradas.

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Carnavalha




Muitos países procuram um motivo ou característica que os tornem únicos ou conhecidos, uma marca indelével de sua cultura – o carnaval é a nossa.  Mas como ainda nos corta como a navalha crivada na carne dos antagonismos, e que vem trazida pelo nosso vazio em pensar no que ocorre nos arredores sujos de nossas cidades.

Pode ser algo bom, um reforço cultural, um alívio da neutralidade cotidiana – mas a que preço? Desde os cordões seletivos do carnaval nordestino até os prejuízos morais, de saúde e riqueza oferecidos por tanta festa...  onde o ganho compensa a perda? Os custos em saúde, os gastos em financiar desfiles, as confusões, acidentes de trânsito, assaltos, homicídios e estupros. Custa ver que todo esse malefício aumenta nesses fatídicos dias? 

Partindo da lógica de que o consumo excessivo de bebidas e os disparates coletivos motivados por uma razão institucionalizada em nada acrescentam no cotidiano, marcando de maneira miserável o início efetivo do ano brasileiro. É muito impopular falar mal, mas ficar esses dias parados dá tanto dó que custaria muito não comentar.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Razões atrás de cacetetes


Que tempos bicudos esses em que vivemos, onde a polícia é algo de tantas desconfianças e estamos cercados da impotente incerteza de seres desarmados. Mas em quem acreditar nesse mar de denúncias, onde são acusados policiais e bombeiros de comportamentos que não se esperava deles?




É muito triste ver bombeiros na cadeia, mas viver sem nenhuma pauta também é complicado. Complicado também é ver alguém barganhar com a segurança pública. Isso na Bahia talvez seja até um alento para não ter tanta folia assim – dessa que atrasa a vida de nosso país. Mas no geral atrapalha a vida de todos nós, que trabalhamos e vivemos sem essa segurança meia boca de cotidiano, mas vive-se desse jeito.
Desde os rolos da USP até a pobre vaquinha estuprada aqui na capital a polícia fica nos seus altos e baixos e acabamos por ficar com tantas dúvidas que até a polícia de SC que sempre nos foi tão cara agora é até alvo de dúbias interpretações nas atualizações menos infelizes do Facebook. Mais críticas ainda as desocupações e dispersões craqueanas, comandadas e entristecedoras no geral. Rezemos pois é o que nos resta.



segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Sem dar SOPA para liberdade





Um assunto que tomou conta da imprensa brasileira e mundial foi que o governo americano gostaria de tratar com SOPA os excessos nos serviços de compartilhamento da internet. É estranho pensar que os donos do MEGAUPLOAD estão milionários com essa prática pouco desportiva de distribuição de  mídia, trazendo a tona uma discussão que vai desde a repressão total,  a liberação indiscriminada, passando por um meio termo conciliador. Mas que meio termo? Um que permaneceu incólume as medidas foi o The Pirate Bay (TPB), que não ficou um segundo sequer fora do ar e ainda publicou uma mensagem de rebeldia, se dizendo eternamente um revolucionário resistente ao clima pouco favorável para as redes p2p.
É bem verdade que o TPB tem uma filosofia clara, no entanto menos descarada que o MEGAUPLOAD – mas parar esses sites é como matar uma barata que já gerou 20 mil filhotes para prosseguir com a horda.
No caso do Brasil já tivemos um projeto de lei para coibir ações desse tipo, que em virtude de seus exageros caiu no esquecimento. Felicidade essa nossa de não viver em ambientes cruelmente restritivos como China, Coréia do Norte ou Irã. A internet nasceu livre, e assim deve permanecer, os eventuais exageros devem ser coibidos, mas restringir pura e simplesmente não resolveria.

quarta-feira, janeiro 25, 2012

MUNDO EM QUE VIVEMOS



As vezes penso que a moral global é uma nau pronta a afundar no oceano do cotidiano. Mais rebaixados do que a nota da França, estamos boiando em nossas dúvidas de como proceder, apoiados numa mídia que é muito boa em confundir. E pensar que Berlusconi hoje é um cordeiro comparado a um capitão de transatlântico, que por seus acepipes sexuais acaba esquecendo o leme e se agarra em outras coisas.  
Preocupados com pseudo-estupros em gaiolas sociais, esquecemos que é para isso que elas servem – gerando indignação midiática e audiência para a publicidade sedenta do sangue consumidor. Queria lavar o rosto e acordar, como se toda essa abobrinha de quem não está no Canadá fosse só um devaneio de umas noites da vida, mas infelizmente essa não está assim tão fácil.  
Vamos adiante, investindo nesse futuro duvidoso que multiplica as cifras da dívida européia, tentando construir na nossa casa algo mais perto do socialismo real – baseado na distribuição de renda e inclusão, esquecendo das torturas cotidianas das cracolândias infames do poder público negligente aos direitos humanos.