Sou do tipo coletivo, que gosta
de ocupar grandes espaços, carros desses grandes: para 40 pessoas em pé, 43
sentadas. Que não tem medo de acidente de trânsito pela inércia que carrega, e
pelo estímulo parco do motorista. No sobe e desce ainda do bairro, sabe que nas
voltas intermináveis dos itinerários reside a garantia da manutenção do meio
nessa pro atividade infértil.
A identidade é tão profunda que
parece que saí da maternidade já de ônibus, e entreguei enrolado em cueiros meu
primeiro passe, para o cobrador que via nascer mais um passageiro. E qualquer
distância, para o fim que fosse dali em diante seria dessa forma trafegada,
quando os passos fossem muitos a companhia dos dois eternos - cobrador e
motorista – era certa. E pensar que sempre seria tratado de pobre, lascado pelo
hábito que privilegia as massas, como se esse não fosse o homem que o direito
proclama o benefício às maiorias para manutenção da sociedade.
Mas é muito difícil ser coletivo
nesse mundo de individualidades, e muito fácil ser indiferente com a distância
que se toma.

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