quinta-feira, dezembro 22, 2011

Ser do tipo Coletivo




Sou do tipo coletivo, que gosta de ocupar grandes espaços, carros desses grandes: para 40 pessoas em pé, 43 sentadas. Que não tem medo de acidente de trânsito pela inércia que carrega, e pelo estímulo parco do motorista. No sobe e desce ainda do bairro, sabe que nas voltas intermináveis dos itinerários reside a garantia da manutenção do meio nessa pro atividade infértil.
A identidade é tão profunda que parece que saí da maternidade já de ônibus, e entreguei enrolado em cueiros meu primeiro passe, para o cobrador que via nascer mais um passageiro. E qualquer distância, para o fim que fosse dali em diante seria dessa forma trafegada, quando os passos fossem muitos a companhia dos dois eternos - cobrador e motorista – era certa. E pensar que sempre seria tratado de pobre, lascado pelo hábito que privilegia as massas, como se esse não fosse o homem que o direito proclama o benefício às maiorias para manutenção da sociedade.
Mas é muito difícil ser coletivo nesse mundo de individualidades, e muito fácil ser indiferente com a distância que se toma.

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